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Hero factory Brazil – História do mangá partes 2

 

Segunda parte da história do mangá

 

Fig -3 Figura 3. choujiga : O shoujiga apresentava animais humanizados em situações cômicas. Acima, o sapo no papel de buda e o macaco representando um monge , ao fundo, assistido por outros animais. Esta humanização dos animais satírica se assemelha ao que mais tarde surgiria nos desenhos animados de Walt Disney.Fonte: www.rackham.dk 01/02/2007

Um outro rolo é atribuído ao bonzo Kakuyu, Yobutsu Kurabe, traduzido como “concurso fálico”. Neste rolo, homens comparam seus membros e utilizam-nos em proezas de força. A obra chama atenção para uma particularidade flexível do budismo japonês da época, que estimulava a produção de obras humorísticas, chamados de “rolos de concurso”.
Por volta do século XVII, surgiu uma forma de cartum religioso com objetivo didático, a intenção era fazer humor espontâneo para chamar a atenção para questões sérias. Tais desenhos eram chamados “zinga” ou desenhos zen. Para eles, a pintura zen funcionava como uma ajuda espiritual ao artista, não só visando a produção da imagem no papel, mas também um estado mental espiritualmente elevado.
Durante o período da história do Japão conhecido como Kamakura( séc X a XII), surgiram obras humorísticas sobre demônios e fantasmas, se destacam os Gaki Zoshi(rolo dos fantasmas famintos), Jigoku Zoshi(rolo do inferno) e Yamai Zoshi(rolo de doenças).
Esses rolos ilustravam os seis mundos da cosmologia budista- céu, o mundo dos humanos, o mundo dos titãs, o mundo dos animais, o mundo dos fantasmas famintos e o reino do inferno.Produzidos numa época onde muitas guerras internas assolaram o país, as cenas de sofrimento destas obras são retratadas com realismo cruel, tendência que pode ser vista também em muitos mangás atuais.

 

Acima(figura-4), “zoshi de jigoku” ou o rolo do inferno. No Japão, esta visão de inferno foi popularizada pelo monge Tendai Genshin (942-1017).fonte: www.tnm.go.jp 01/02/2007

“Hyakki Yako”(figura-5), a caminhada noturna dos cem demônios, feita por Misunobu Tosa(século XV), em cores, conta uma história humorística onde uma horda de demônios brincalhões saem à noite com instrumentos musicais , fazendo travessuras, desaparecendo ao chegar a luz da manhã. Diferente da religião cristã, no budismo os demônios tem um papel diferente, podendo ser seres tanto maligno quanto benignos, por isso, tais figuras aparecem frequentemente também nos mangás atuais sem o menor constrangimento, causando estranhamento por parte de ocidentais desavisados, quando identificam tais seres em mangás e fazem inadvertidamente ligação com seu equivalente na cultura cristã. Também em “Hyakki Hyako” os demônios(“yõkai”) não são tratados com a mesma seriedade que na própria religião budista, sendo encarado como uma obra humorística e não religiosa. Este rolo específico é apontado como inspirador de vários desenhistas de mangás modernos de terror, como Shigeru Mizuki, cujo mangá mais conhecido é “Ge Ge Ge no Kitaro”, que conta a história de um garoto meio humano, meio demônio, que busca a paz entre fantasmas e humanos.

 

Figura 5: Parte de “Hyakki Yako”, traduzida no ocidente como “ a caminhada noturna dos cem demônios”, de Misunobu Tosa (século XV). O próprio termo “demônio” é inexistente na cultura japonesa, as criaturas do folclore japonês recebem nomes diversos(figura-5) e papéis tanto benéficos quanto maléficos, sendo , em muitas ocasiões tratados como autores de travessuras, como retratado no antigo rolo.fonte: commons.wikimedia.org 01/02/2007

Figura-6 : Máscara representando um “Oni”(fonte: www.acbj.com.br 05/02/2007) ,criatura do folclore Japonês semelhante a
um demônio ocidental. Ao lado(figura-7), um Kappa(fonte: commons.wikimedia.org 05/02/2007) , outro ser mitológico, meio humano, meio tartaruga, habitante de rios e lagos, gravura de Katsushita Hokusai.

Acima(fig.8) personagens do famoso mangá “GeGeGeNoKitaro” e seu criador, Shigeru Mizuki, considerado criador moderno de histórias de terror japonês, tem seu trabalho inspirado nos antigos rolos “ê-makimono”(fonte: www.wikipedia.org , 05/02/2007) .Abaixo(figura-9), outra gravura do mestre Katsushita Hokusai retratando os “onís”(fonte: www.wikipedia.org 05/02/2007), logo ao lado(figura-10), imagem retirada da abertura do anime “yu yu hakushô, de Yokishiro Togashi, também apresentando um grupo de “onís” , onde é visível a semelhança entre as características físicas dos monstros nestas imagens .

 

 

A ilustração na literatura japonesa, pode ser considerada como parte da trajetória da arte seqüencial chegada dos quadrinhos no Japão, conforme é citado por Sonia B Luyten. O manuscrito japonês mais antigo, chamado “Utsubo Monogari”(história da árvore oca), escrita no séc X em algumas partes, o texto indicia que haviam ilustrações, que foram perdidas do texto original. Também as coleções “tanka”(poemas que consistem em cinco linhas de cinco, sete, cinco, sete e sete sílabas) apresentavam algumas ilustrações, onde os prefácios dos poemas serviam para chamar a atenção para as ilustrações.“Gengi Monogatari”(figura-11) outro exemplo, escrita no século XI por Murusaki Shikibu, tratando-se da mais antiga novela do mundo em extensão e também, ilustrada. A autora chama a atenção também para a própria escrita japonesa, herança dos caracteres chineses (ideogramas Kanji).No início estes caracteres eram desenhos figurativos estilizados, que com o passar dos anos foram sendo modificados até chegar as formas atuais, no entanto, não se pode negar a propriedade de desenho que os caracteres orientais apresentam. Em alguns casos na literatura japonesa, esta escrita era utilizada como um jogo estético, tendo a harmonia das formas mais importância que o próprio sentido do texto.Hoje em dia também a caligrafia japonesa compõe também um elemento visual importante nas páginas dos mangás quando utilizadas como onomatopéias ( palavras que simbolizam os sons nos quadrinhos), dando maior impacto e dramaticidade nas cenas(figura-12).

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