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Hero Factory Brazil -História do mangá partes 6

Por Irlayne Silveira
Sábado, 13 de Fevereiro de 2015 – 14h21

Tema : História do mangá partes 6

fig-52 exemplo de um “transformer “ americano
Fonte: www.lashorasperdidas.com 28/08/2007

Mas, se for buscar a verdadeira origem do conceito dos robôs transformadores, teremos que dar os créditos novamente a Osamu Tezuka no seu mangá entitulado “Magma Taishi”, o protagonista era um enorme robô dourado que se convertia em foguete. A etapa final da manobra comercial da Hasbro envolvia criar um desenho animado para a divulgação da linha de brinquedos que foi rebatizada com o nome de transformers. O roteiro ficou à cargo da produtora de quadrinhos MARVEL COMICS, e animação contou com estúdios japoneses, onde os personagens humanos da trama foram desenhados num estilo mais ocidental. Na recente produção cinematográfica “transformers”, dirigido por Michael Bay e produzido por Steven Spielberg, há diversas menções a respeito das origens nipônicas dos personagens.

fig-53 página de quadrinhos de “transformers”, nos anos 80.fonte: www.tfarchive.com 28/08/2007

fig-54 “Trasformers” em sua nova versão cinematográfica, produção americana de 2007.O visual ganhou atualizações , mas manteve seu vinculo com os robôs dos desenhos japoneses . fonte: wallpapers.lynksee.com 28/08/2007

Frank Miller, um dos mais importantes nomes dos quadrinhos americanos, também um pioneiro em importar influências dos mangas para os quadrinhos norte-americanos, também se aventurou pelo universo dos robôs gigantes nas páginas de “big Guy e Rusty”. Na verdade, o roteiro de Miller passa por todos os clichês do imaginário dos super- heróis japoneses envolvendo monstros e robôs gigantes. Os próprios personagens, Big Guy , um enorme robô semelhante ao Homen-de-ferro, e Rusty, visivelmente inspirado em Astro boy.


Fig-55- Big Guy e Rusty, de Frank Miller, dois robôs de quadrinhos americanos à moda japonesa.
fonte: contraculturalmente.blogspot.com 28/08/2007

Megas XLR , produzida pelo estúdio “Cartoon Network”, criada por Jody Shaefer e george Krstic, apresenta uma bem humorada série de robôs gigantes, tendo como personagens principais dois adolescentes viciados em vídeo-games no comando de um robô gigante que caiu do espaço no ferro velho onde moram. É de se notar facilmente que o traço do desenho animado apresenta influencias do mangá.

fig- 56 megas xlr, além do robô gigante,as influencias do mangá estão presentes nos personagens humanos.fonte: www.zanaducomics.com 28/08/2007

3.2 –A INTRODUÇÃO E A INFUENCIA DOS MANGÁS ADULTOS NO OCIDENTE

Os robôs gigantes abriram caminho para a entrada de outros estilos de mangás, voltados para o publico mais adulto.Dois mangás tiveram um papel importante no porcesso de entrada no mercado americano: “ kozure Okami(lobo solitário), dos autores Gozeki Kojia e Hioshi Ikegami e “Akira” de Katsuhiro Otomo. O “lobo solitário” é um gekigá, ou mangá de samurai, cujo traço foge às influencias de Osamu tezuka, por apresentar fisionomias mais naturalistas. Conhecido principalmente por ser o mangá favorito do já citado mestre dos quadrinhos americanos, Frank Miller, que desenhou as capas das edições americanas do “Lobo Solitário”, e o utilizou como inspiração para seu álbum intitulado “ronin” e também da mini-série da anti-heroína electra .

fig- 57 “o Lobo solitário”fonte: betazine.blogspot.com 28/08/2007


fig-58 “Ronin”, de frank Miller.fonte: www. adlo.dreamers.com 28/08/2007

fig- 59 O mestre dos quadrinhos americanos, Frank Miller.fonte: www.universohq.com 28/08/2007

Akira, de Katsuhiro Otomo, foi trazido pelo ocidente pela epic comics, em 1988. Na sua edição americana, foi colorizada e teve o sentido de leitura alterado para o ocidental( no japão os livros são lidos no sentido contrário de como é lido no ocidente). Um ano depois, foi lançado o longa metragem de animação homônimo, que impulsionou o interesse e a curiosidade dos ocidentais a respeitos dos quadrinhos produzidos no Japão.

fig-60 Katsuhiro Otomo fonte: www.nihonsite.com 28/08/2007

fig-61 Página de “Akira”, edição brasileira, colorizada e publicada em formato americano.fonte: www.marel.pro.br 28/08/2007


fig-62 Imagem promocional do longa metragem de animação de “Akira”.fonte: www.computerarts.co.uk 28/08/2007

O mangá começa então a difundir-se não só nos Estados Unidos, mas em muitos países do mundo em uma escala nunca antes previstas pelos próprios japoneses. No final dos anos 90, o mangá colocou as vendas dos quadrinhos americanos em perigo. A solução encontrada pelos americanos é recorrer à estética e narrativa dos mangás. Neste perído começaram a surgir traços híbridos, que combinavam as características do mangá com o comics. Mais recentemente, a Marvel Comics lançou a linha “mangaverso”, onde todos os personagens da editora ganharam suas versões no estilo mangá.

Fonte: www.asifa-hollywood.org 27/08/2007 fonte:arquivocomics.cjb.net 27/08/2007

Fig-64-“Gen-13”, do desenhista americano Jim Lee, combinando elementos dos traços mangá e comics.

fig-65 “MANGAVERSO”, homem aranha e mulher aranha desenhados totalmente no estilo mangá.fonte: www.universomarvel.com 27/07/2007

fig-66 série de desenhos animados “X-MEN EVOLUTION”, os famosos personagens da Marvel tiveram suas idades diminuídas e seus traços fortemente influenciados pelo mangá.fonte: sagadephil.blogs.sapo.pt 27/08/2007

Fig- 67 Nova versão do homem de ferro após a entrada da estética do mangá . fonte: as imagens acima foram editadas a partir dos respectivos sites: www. home.att.ne.jp, www.cartonionline.com e www.universomarvel.com 27/08/2007

3.3 OS VESTÍGIOS DOS MANGÁS NOS DESENHOS ANIMADOS OCIDENTAIS

Outras produções, como os desenhos da “cartoon network”, recorrem à sátira utilizando exageradamente os clichês dos animes. Algums exemplos podem ser vistos em “meninas super poderosas” e o “o laboratório de texter”, monstros gigantes, robôs e situações recorrentes nos filmes japoneses e animes são mostradas constantemente com traços cômicos.

fig-68 “meninas super poderosas” fonte: www.powerpuffdi.hpg.ig.com.br 28/08/2007

fig- 69 “samurai jack” fonte: www.genreonline.net 28/08/2007

Mas não é só nos EUA que se concentra o foco da influencia os mangas, na França, onde a aceitação dos mangas e animes se deu antes dos Estados Unidos, o estúdio francês Marathon Production produz va´rios desenhos animados com caracteristicas bem próximas aos animês, como por exemplo , “Martin Mystery” e “totally spies”.

fig- 70 O desenho animado frances “martin Mystery”. Fonte: www.realtvnews.com.ar 28/08/2007

3.4- INFLUENCIAS NO CINEMA
Ao longo dos anos, filmes americanos com a temática na cultura japonesa e até versões filmadas de mangas e animes foram produzidos, mas sem relevância junto ao publicoe à crítica. Versões americanas do filme original “godzilla”, foram lançadas, com as chamadas “Mutilações”, ou seja as cenas com os atores japoneses foram editadas, e em seu lugar, foram gravadas outras cenas com atores americanos, algo bem similar ao que acontece hoje em dia com as séries “power rangers”, que na verdade, são versões americanas das já mencionadas séries japonesas “super sentai”, onde somente as cenas de luta entre os heróis mascarados são mantidas. No entanto, tais produções não passaram de versões americanas, não sendo, portanto, autênticos filmes americanos com influencias saídas dos animes e mangas. O primeiro filme a trazer esta linguagem para o cinema americano sem duvida foi “Matrix”, dos irmãos Andy e Lary Wachowski. O filme de ficção científica fala de um futuro dominado pelas máquinas onde a humanidade é mantida aprisionada numa realidade virtual. Muito mais que isso, o filme tem influências diretas do mangá e animê “ghost in the shell” de Masanume Shirow, desde os créditos da abertura , o estilo dos robôs e veículos, o roteiro que fala da rede virtual, o sistema de interface que conecta o cérebro dos personagens ao mundo virtual.Na parte das lutas, há também uma boa dose da influencia dos vídeo games japoneses e dos filmes chineses de “kung fu”, e finalizando, há uma luta no ultimo filme da série totalmente inspirada na famosa série de animes “Dragon Ball-Z”, de Akira Toriyama . Os efeitos especiais modernos , digitais, permitem colocar nas telas de cinema tudo aquilo que era visto somente nos mangas e animes. E a partir de “matrix”, estes recursos narrativos foram cada vez mais usados em outras produções cinematográficas.

fig-71 “ghost in the shel .fonte: syberpunk.blogspot.com 28/08/2007

fig-72 “MATRIX” fonte: www.cinemacomrapadura.com.br 28/08/2007
fig-73 Algums exemplos de cenas do anime “Ghost in the shell” que influenciaram o filme matrix:

(1) créditos iniciais de ambos os filmes; (2) implante em forma de “plug” localizado na nunca da personagem do anime, e o mesmo implante em um personagem do filme “matrix”; (3) Cena da queda da personagem do anime, onde o impacto da quada provoca um afundamento na superfície onde ela aterriza, em matrix, a mesma idéia foi aproveitada.

Kill Bill, de Quentin Tarantino, é outro exemplo da inspiração vinda de animês e uma mescla de produções adivindas do Japão e da china. Não se limitando em compor a narrativa com inúmeras referencias, Tarantino inseriu o próprio animê para contar a história de uma das personagens dentro do filme.

fig-74 o filme “Kill Bill”, de Tarantino é um exemplo extremo da influencia oriental no ocidente, com fortes referencias aos mangás de samurais.Fonte: www.acores.net 28/08/2007

fig- 75 sequencia de anime dentro do filme “KILL BILL” fonte: forum.zoque.net 29/08/2007

3.4- AS INFLUENCIAS DO MANGÁ E DOS ANIMÊS NO BRASIL Segundo pesquisadores do tema como Alexandre Nagado(jornalista especializado em animes e tokusatsu no Brasil, com inúmeras revistas lançadas entre os anos 90 até os dias de hoje). O Brasil não ficou de fora das influências dos animes e mangas, mas de uma maneira mais tardia que em outros países. É, portanto, um fenômeno recente. Os primeiros mangás que chegaram ao Brasil foram enviados pelos parentes dos japoneses que imigraram para cá. Em 1960 , os desenhistas Júlio Shimamoto e Cláudio Seto foram os primeiros a produzir mangás fora do Japão que se tem notícia, também, pioneiros em produzir mangás no Brasil . esuka.

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fig-76 desenho de Cláudio Seto. Fonte: www.nipponsite.com / 28/08/2007

fig- 77 capa de “musahi” por Julio Shimamoto fonte: www.operagraphica.com.br 28/08/2007

No entanto, o grande publico brasileiro só teve contato com os desenhos japoneses através da televisão. Cruzando dados entre pesquisadores do assunto como Alexandre Nagado, Francisco Noriyuki Sato (ex-presidente da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações-ABRADEMI) , pode-se dividir a história dos animes e mangas no Brasil em 3 momentos distintos: o primeiro, nos anos 60 e 70 ,com a exibição de seriados como “national Kid” (que não é um anime, mas por causa do sucesso desta série, diversas séries similares, como “robô gigante” e “ultraman”, e animes vieram depois dela), e animês exibidos pela extinta rede Tupi, no programa “Capitão AZA”(era escrito com “z” mesmo), como por exemplo o mundialmente famoso animê “speed racer”. Mas, a falência da rede Tupi e o domínio dos desenhos americanos descontinuaram a exibição de novos animes no Brasil por um grande período.

fig-78
Seriados como “National Kid “, apesar de não serem animes, foram o primeiro contato do publico brasileiro com a cultura pop japonesa. “National Kid” surgiu dos quadrinhos(mangás) de Daiji Kazumini.
Fonte:www.retrotv.com 28/08/2007

fig-79 “speed racer” foi o primeiro anime de sucesso exibido no Brasil.fonte: retrotv.uol.com.br/speedracer 28/08/2007

O segundo momento, nos anos 80, quando a extinta rede manchete exibiu diversas séries de tokusatsu, como “jaspion” “changeman”, que apesar de também não serem animês, promoveram uma verdadeira mania por séries japonesas no Brasil, juntamente com estas séries, o interesse por coisas do Japão. Nesta época foram publicados pela editora Globo o mangá Akira(de Katsuhiro otomo), em formato americano, colorizado sendo seguido do mangá “May- a garota sensitiva”(de Kasuo Koike e ryochi ikegami). Juntamente com o mangá, o primeiro anime exibido nos cinemas brasileiros, também, Akira. É importante ressaltar a visita do Mestre Osamu Tezuka ao Brasil em 1984, onde se encontrou com o desenhista brasileiro, Maurício de Souza e o Jornalista e fundador da ABRADEMI . Também, deve-se registrar nesta mesma época, a exibição do animê “parulha estelar” pela rede manchete, que apesar de não ter se transformado exatamente numa febre entre os jovens brasileiros, fez relativo sucesso.Em 1985, também foi criado o primeiro fanzine sobre animes do Brasil, o Clube do mangá. As “Jaspion” e “changeman” possibilitaram também uma nova chance para os quadrinhos brasileiros, com várias revistas em quadrinhos publicadas sobre os heróis da tv, totalmente desenhadas e escritas por desenhistas brasileiros. Apesar dos traços ainda serem muito influenciados pelos quadrinhos americanos, um destes desenhistas se destaca por já inserir, aos poucos, influencias do mangá nos seus traços nestas revistas: Marcelo Cassaro.

fig-80 “esquadrão relâmpago changeman” www.jbox.com.br 01/09/2007

fig-81 “Jaspion” fonte: www.jbox.com.br 01/09/2007
(figura-80), o primeiro “super sentai” a ser exibido no Brasil, “changemam”.(figura 81) O super herói jaspion. Estas duas séries foram responsáveis por uma verdadeira mania por produções japonesas nos anos 80, propiciando a entrada de outras séries similares, animês e mangás.

fig-82 A extinta rede de tv Manchete foi uma grande divulgadora das produções japonesas no Brasil. Fonte: www.microfone.jor.br 01/09/2007

fig-83 capa da revista humorística “MAD”, satirizando a série televisiva,“Jaspion”.fonte:
www.superheroisonline.hpg.ig.com.br 26/08/2007

Fig-85 páginas da revista em quadrinhos do Jaspion, publicada pela editora Abril, o herói japonês era desehando por brasileiros em estilo americano(comics). Fonte: http://www.sobresites.com/anime/forum/viewtopic.php?p=198126&sid=c0618f20c7de176e7cc66fe000ab5703 29/08/2007

fig-86 O já mencionado personagem “Kamen rider”, de shortaro Ishinomori, chegou ao Brasil no formato de “tokusatsu”.Teve seus quadrinhos desenhados por Marcelo Cassaro, que já introduzia nos seus traços, aspectos do estilo mangá.
Fonte: http://www.sobresites.com/anime/forum/viewtopic.php?p=198126&sid=c0618f20c7de176e7cc66fe000ab5703 28/08/2007

Nos anos 90 com a chegada do anime “cavaleiros do zodíaco” os animês finalmente se tornaram uma nova mania entre os jovens , jutamente com a chegada de novos vídeo-games que apresentavam personagens similares. Nesta época, Marcelo Cassaro se consagrou como escritor e ilustrador de revistas de R.P.G. (sigla em inglês “Role-Playing Game”, um tipo de jogo onde os participantes simulam histórias fantásticas, com base em regras de um livro específico), criando um sistema de R.G.P. ambientado nas séries japonesas, chamado de “3d&t- Defensores de tóquio”. E mais tarde, roteirista da revista em quadrinhos de mangá mais bem sucedida já produzida no Brasil: “Holly Avengers”, que era desenhado primorosamente pela nissei , Érika Awano.

fig-87 “holy avenger”, desenhado por Érika Awano.fonte: www.holyavenger.com.br 29/08/2007

fig-88 desenho de Denise akemi fonte: http://www.geocities.com/tokyo/gulf/8060/ 29/08/2007

fig-89 Outro mangá nacional, produzido por Érica Horita.fonte: www.ligazine.com.br 29/08/2007

“Cavaleiros do zodíaco” instigou nos desenhistas e fãs brasileiros a vontade de aprenderem a desenhar no estilo mangá e a se envolver cada vez mais com este universo. A ABRADEMI iniciou então nos anos 90 uma intensa atividade como cursos livres com desenhistas de editoras japonesas, abertos aos jovens interessados em aprender o traço mangá , palestras com profissionais ligados a área editorial. No ano de 1996 a ABRADEMI promoveu o Concurso de Mangá Abrademi Contest, o primeiro do Brasil. E no mesmo ano foi realizada a MangáCon, Convenção Nacional de Mangá e Animê. Destes cursos e atividades da Abrademi, surgiram também outros quadrinhistas e ilustradores de revistas especializadas em animes, como Érica Horita e Denise Akemi, esta ultima edita até hoje uma revista de mangá independente, onde autores novatos podem publicar seus trabalhos, a revista “Tsunami”. Finalmente, na era da internet, um outro desenhista brasileiro também ganhou destaque, por recriar o universo dos mangas e das séries tokusatsu, numa versão mais infantil e mais simpática, os “combo rangers”.

Fig- “combo rangers” fonte: www.internationalhero.co.uk 29/08/2007

Se a mania por mangas e animes aumentou no Brasil, com encontros anuais de fãs em praticamente todos os estados, bem como o numero de mangas traduzidos triplicou em vendas nas bancas, o número de novos desenhistas brasileiros no mercado editorial diminuiu em contra partida, um aspecto negativo desta invasão japonesa.
3.4- OTAKUS: INFLUENCIA DOS MANGÁS NO COMPORTAMENTO
Como parte final da investigação sobre a influencia dos mangas e animês no ocidente, temos os fãs , que são conhecidos como“Otakus”. A palavra japonesa ”otaku” originalmente, é um tratamento respeitoso dado a alguma pessoa, podendo ser traduzido como “seu clã” ou” a sua família”. Nos anos 80, no Japão , o jornalista Nakio Nakamori , observando que a palavra era muito utilizada pelos fãs de anime, popularizou o termo em um livro que contava a história de um assassino serial , fanático por animes, que reproduzia as cenas de violência que via em seus mangas e animes favoritos. O livro, baseado em fatos reais, provocou uma onda de discriminação contra os fãs de animês no Japão, e até hoje tais pessoas são vistas como lunáticos que fogem da realidade. O sentido pejorativo da palavra também se extendeu a todas as pessoas que aparentam demasiado interesse por qualquer assunto, não só animês e mangás. No ocidente, o termo chegou com o anime chamado “otaku no video”, um misto de anime e documentario sobre os diversos tipos de fanáticos em animação na época. O termo então foi difundido pela revista informativa “America” para classificar pejorativamente este grupo de pessoas aficcionadas pelas produções japonesas, assim como os fãs do seriado “Jornada nas estrelas” são chamados de “trekkers”. Com o surgimento da internet, o termo foi divulgado mundialmente e seu sentido foi modificando pouco a pouco, passando a ser apenas um termo para designar os fãs de animes e mangas, sem seu sentido negativo.
No Brasil, o termo foi publicado pela primeira revista especializada em animes brasileira, a Animax, e em pouco tempo foi amplamente adotada pelos fãs brasileiros de anime até hoje, mas o sentido original da palavra não foi omitido pela revista.
Nos grandes encontros de fãs de animes que acontecem em vários países , chamados de “eventos” ou “convenções”, os fequentadores participam de diversas atividades, que vão desde campeonatos de vídeo games, até cursos relâmpago de desenho mangá. Todo tipo de produtos relacionados a estes desenhos animados e quadrinhos são ali, consumidos. O ponto máximo destes encontros é o “cosplay “ (fusão das palavras inglesas “costume” e “play”, respectivamente, algo como ”vestir” e “representar”), onde os participantes se fantasiam de seus personagens favoritos e participam de uma espécie de competição teatral, onde em muitas vezes, representam um trecho de um anime ou mangá.O que parece estranho para muitas pessoas que não conhecem nada a respeito deste universo, é encarado por eles como uma diversão como outra qualquer, mas o assunto já foi levado em discussão pelos meios de comunicação.Os lados positivos e negativos destes encontros porém, podem ser objeto de outros estudos.

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g- grupo de jovens caracterizados como personagens numa convenção de animes na cidade de são paulo em 2003.
Fonte: www.fotolog.com/cosplay 28/08/2007

O numero de freqüentadores de tais eventos no Brasil tem aumentado a cada ano.O maior evento da atualidade, o Anime Friends, que a cada ano traz cantores de temas de animês, e atores das séries de Tokusatsu, registrou no ano de 2006, a presença 51 mil visitantes ao evento que é realizado anualmente na cidade de são paulo. A influencia dos mangás e animes aqui, não se limitam a traços, mas se estendem ao também comportamento, com gírias, trejeitos, modos de se vestir e agir.

CONCLUSÃO
Como foi visto, os mangás são resultado de uma mistura entre a arte sequencial existente na tradição japonesa e os quadrinhos ocidentais. Absorvendo esta influência estrangeira, os japoneses adaptaram à sua cultura, adicionaram aos quadrinhos uma narrativa visual dinâmica, diversificaram seus temas e criaram seus próprios heróis.
Com a popularização dos veículos de comunicação, como a tv, os mangás passaram a ter versões em desenho animado e começaram a ser exportados a outros países, onde se iniciou o processo da inversão: o mangá que surgiu de influencias estrangeiras passou a influenciar os estrangeiros. Os desenhos animados e quadrinhos produzidos pelos roteiros se mostraram muito sedutores aos expectadores ocidentais, gerando varias formas de influencias. Desenhistas e roteiristas de quadrinhos e produtores de desenhos animados do ocidente buscaram nos mangás inspirações ou mesmo tiveram imita-los,
para se manterem no mercado. Logo, a narrativa dos mangás e animês também foi aproveitada no cinema americano.
A linguagem dos mangás não chega ao ocidente somente através de desenhos animados e quadrinhos. Os video games, são também veículos que colocam vários ocidentais com os personagens, traços e histórias pertencentes a esta linguagem. Também, a internet possibilita que o mangá seja conhecido até mesmo nos países em que não exista a veiculação dos mangás nos meios de comunicação oficiais.
A industria de brinquedos, também sofreu influencias dos mangás.Personagens com formas e aparências de antigos guerreiros orientais acabam, de maneira indireta, divulgando aspectos das tradições milenares dos japoneses às crianças do ocidente.
Os mangás no ocidente, são divulgadores de hábitos e costumes do cotidiano japonês, como por exmplo, em contato com estas produções, muitos ocidentais de interessam por coisas como praticar artes marciais como o “karatê” ou mesmo comer comida japonesa, o mangá também influencia comportamentos.
No entanto, a essência do mangá vem se perdendo atualmente em vários aspectos: quanto à seu vínculo com o passado na arte antiga , os resquícios dessa cultura que ainda eram mantidos na época de Tezuka, vão pouco a pouco desaparecendo mediante a banalização do estilo na indústria de entretenimento. Muitos mangás e animês hoje em dia já são pensados como produtos antes de nascerem, por isso recorrem aos clichês e pecam por repetir exaustivamente as fórmulas que já deram certo anteriormente . No que diz respeito às adaptações dos mangás no ocidente , perdem essência pela incapacidade dos ocidentais de perceberem todas as convenções que são próprios do próprio povo japonês, o que gera um entendimento fragmentado da leitura, para exmplificar , uma piada local que só os próprios japoneses acham graça.
Quanto às influências comportamentais, o mangá passa uma visão fantasiosa e fragmentada do cotidiano japonês, o que pode gerar equívocos graves nos ocidentais que inadvertidamente mimetizam estes comportamentos mostrados caricaturalmente no mangás.
Os aspectos positivos e negativos deste choque cultural podem ser objeto de futuros estudos.

“Kingdom hearts” Fonte: www.kotaku.com 29/08/2007

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